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sábado, 26 de julho de 2014

Resenha - Paixões


Quando peguei este livro para ler, já sabia o que eu poderia esperar de suas histórias. Afinal, foi uma indicação da Isa, do canal LidoLendo, e no vídeo, ela já contava mais ou menos como seriam as histórias. Mas ainda assim, achei uma história mais incrível que a outra. Paixões (Pocket Ouro, 2005, 222 p.) é uma reunião de artigos que Rosa Montero escreveu para o jornal El País e reuniu neste pequeno livro. Ao todo são 18 casais que têm sua vida exposta a nós, leitores.

Com seu faro jornalístico, Rosa destrincha cenas pessoais de casais como John Lennon e Yoko Ono, Oscar Wilde e lorde Alfred Douglas, Evita e Juan Perón. A cada história, ficamos mais assustados - e até mesmo, mais maravilhados - com toda a paixão que tinham nos relacionamentos amorosos. É como um livro de fofocas. Confesso que leria mais e mais sobre a vida de cada um dos protagonistas. Aliás, no final do livro, a autora deixa de presente toda a bibliografia utilizada para pesquisa dos artigos.

Um livro que vale muito a pena ser lido, para que depois façamos mais pesquisas. É interessante o modo como Rosa Montero revela cada situação. É muito sutil em umas partes e irônica - até demais - em outras. Uma leitura rápida e bem agradável.

Título: Paixões
Autor: Rosa Montero
Editora: Pocket Ouro
Páginas: 222



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Resenha - Ora bolas


De todos os poetas que eu conheço, considero Mario Quintana o melhor. Não somente por suas poesias - que não são "somente" poesias -, mas por todas as histórias que já ouvi dele como pessoa. "Como se poeta não fosse pessoa", ele provavelmente me diria, se estivesse vivo. Oras Bolas: O humor de Mario Quintana (L&PM, 2011, 146 p.) é um livrinho pequeno, escrito, compilado e adaptado por Juarez Fonseca. Foi um livro que ficou entre os mais vendidos de não-ficção, em 1994, ficando atrás somente de Chatô, o rei do Brasil (de Fernando Morais).

As histórias são contadas como crônicas de alguém que conheceu bem de perto o humor de Quintana. Dependendo do dia, acordava com o humor áspero; em outros já vestia o humor poético. Mas sempre sem papas na língua. Como disse Juarez, seus encontros - não somente com políticos, pelo visto - eram hilariantes ou, dependendo do ponto de vista, constrangedores.

"Inflação  (p. 53)
Época do governo José Ribamar Sarney, inflação de 80% ao mês – para começar. Come seu pastel com cafezinho no balcão de uma lancheria da Rua da Praia, sentado em um desses bancos altos e desconfortáveis. Como todo mundo faz, tem as pernas trançadas nas pernas do banco. Na hora de pagar, ao tirar o dinheiro do bolso do paletó, uma nota cai no chão. Lá de cima o poeta a olha desconsolado e isso é o bastante para que um rapaz, sentado na mesa próxima, se abaixe, pegando a nota e alcançando-a a Quintana, que agradece:
– Muito obrigado! No tempo que eu levaria para desenroscar as pernas e descer deste
banco, o dinheiro já teria perdido metade do valor..."

Vejo que seus pensamentos eram tão filosóficos, que beiravam o infantil. Perguntas bobas, comentários tolos, que chegam à pureza da criança. Assim como demonstra em suas poesias, Quintana gostava do cotidiano, gostava do simples, e não era o maior adorador da fama. 

“'Sou a falta de assunto predileta das professoras de Português da Grande Porto Alegre', divertia-se." (p. 65).

Encontrei esta incrível - e rara - entrevista exibida à TV Educativa, nos anos 90. Mario afirma: "A poesia para mim é um instrumento de reconhecimento do meu mundo, do mundo dos outros, e talvez dos outros mundos". Estou ainda mais encantada com este senhorzinho, que no dia cinco de maio completou vinte anos de falecimento.

Título: Ora bolas: O humor de Mario Quintana
Autor: Juarez Fonseca
Editora: L&PM
Páginas: 146


domingo, 18 de maio de 2014

Resenha - Coco Chanel & Igor Stravinsky


É certo que alguns assuntos sofrem (ou já sofreram) algum tipo de preconceito. Em se tratando de arte, a moda, de alguma forma, (já) foi vista como supérflua.

Com esse pensamento na cabeça, comprei – por impulso, talvez – uma ficção biográfica de uma das maiores personalidades desse mundo. Sim! O século 20 deixou um excepcional legado em termos de autoridade feminina e estou falando de Gabrielle Chanel, fundadora da famosa marca francesa de roupas e cosmésticos.

Coco Chanel & Igor Stravinsky (Larousse, 2010, 286 p.), de Chris Greenhalch relata a um pedaço da vida amorosa da estilista.

O fantástico deste livro está na construção das personagens femininas. Com a derrota de seu espetáculo da elite parisiense, Igor sofre com a mulher e os quatro filhos. Com segundas (terceiras e quartas) intenções, Coco o auxilia na moradia. É então feito um embate, no sentido psicológico do termo, entre a esposa (Catherine) e a amante (Coco).

Entre brigas e discussões ao longo do livro, o som melódico do piano funciona como trilha sonora de um caso de amor às escondidas. Um texto repleto de sutilezas e imagens metafóricas que se formam ao longo da leitura. Fantástica é a construção do modo de trabalho de Coco. Obcecada por detalhes e perfeição, a simplicidade de seu trabalho – nos cortes retos em preto e branco – se traduz pela linguagem um tanto densa e apegada aos detalhes do vestuário dos personagens. Acredito que nesse ponto o autor incorpora uma característica sagaz da estilista, no reconhecimento de seu temperamento forte e decisivo, bem típico da aura feminina do século anterior.

Não é à toa que o romance ganhou as telas do cinema, sendo apresentado no Festival de Cannes em 2009. O livro se vale pela escrita de um tom elegante, autêntico e, por vezes, soberbo que nos faz refletir sobre o relacionamento conjugal nos bastidores do mundo da moda que, agora, é parte de um dos segmentos de cultura do país.

A arte de fazer roupas, como estado de constante inspiração e talento (que a última edição da Revista Serafina não me deixa mentir!) é capaz de ser cenário de uma historia de amor com um desfecho impressionante.



Título: Coco Chanel & Igor Stravinsky
Autor: Chris Greenhalch
Editora: Larousse
Páginas: 286