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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Resenha - A lenda do cavaleiro sem cabeça


Repito: não gosto de resenhar livros que eu não gostei de ter lido! rs Sim, começo meu post já avisando então: não gostei do livro em questão, mas ainda assim vou tentar explicar o porquê. A lenda do cavaleiro sem cabeça, de Washington Irving (Leya, 2011, 66 p.) é um conto publicado em 1820. Conta a história do professor Ichabod Crane, que gostava muito de histórias de terror, e ao mesmo tempo, ficava muito impressionado com elas. Era considerado meio maluquinho pelos seus alunos, e seu maior prazer era comer. O pedagogo começa a prestar atenção em uma linda moça rica da cidade, a Katrina Van Tassel. Porém, a mocinha já tem um pretendente: como de praxe, o bonitão, da vila Sleepy Hollow. Um dia o pai da moça dá uma festa, e Crane é convidado. Porém, coisas muito estranhas acontecem. Agora, sobre o título: há uma lenda na vila de Sleepy Hollow, que conta que um ex-combatente da guerra foi morto e decapitado, e que seu espírito ronda a cidade e região. E a lenda chama-se como?! A lenda do Cavaleiro sem Cabeça ;)

O título original do livro é The legend of Sleepy Hollow e isso justifica o porquê de o livro não dar tantas voltas em torno do Cavaleiro sem Cabeça. Porém, não me dei conta de que o título era este, e li com expectativas de que seria um terror dos grandes, e que tudo iria girar em torno da figura da capa. Na época em que o livro foi lançado, o gênero horror/terror estava começando a entrar na moda. Alguns autores escreviam com maestria, conseguindo deixar seus leitores bem tensos. Porém, não senti isso em Irving. Considerei o humor dele interessante, mas o clima de horror não me convenceu. Outro ponto negativo, foram as descrições. E aviso: são muitas, muitas mesmo. Para quem não gosta de tantas descrições - de coisas irrelevantes, diga-se de passagem -, como eu, não irá aproveitar tão bem esta leitura. Para mim, quando a leitura estava começando a fluir de forma gostosa, acabou a história. Enfim, isso (das descrições serem muitas) é questão de gosto, e no meu caso, expectativa. Não imaginava que a leitura seria tão arrastada para mim. Fiquei sinceramente bem triste por não ter gostado do livro :(


Porém! Existe um desenho animado da Disney. Você pode encontrá-lo neste link. E confesso que gostei muito mais do desenho do que do livro. O que senti ao assistir foi um pouquinho daquela nostálgica sensação de "medinho", que quando eu era criança, sentia ao assistir uma animação de terror. Existe também o filme de mesmo nome, que foi lançado em 1999, com direção de Tim Burton, e tendo como Crane o seu impagável companheiro Johnny Depp. E ainda a série Sleepy Hollow, que estou totalmente maluca para assistir rs

Alguém aí, viu alguma das adaptações? Leu o livro? O que achou? :)

Aqui eu faço uma resenha em vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=z9kQreF1biE

Título: A lenda do cavaleiro sem cabeça
Autor: Washington Irving
Editora: Leya (selo Barba Negra)
Páginas: 66 p.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Resenha – Gen, pés descalços, Volume 1

O livro chegou hoje em minha casa. Às 14 horas. Veio junto com o presente de dia dos pais atrasado (Sim, a Saraiva atrasou um tiquinho, mas ok). Estava ansiosa para entregar o presente ao meu pai, e já correr para apreciar meu livro. Este foi aguardado. Ah, se foi. Gen, pés descalços, Volume 1: O nascimento de Gen, o trigo verde (Conrad, 2011, 275 p.), teve sua edição original publicada no ano de 1975, trinta anos após o início da Segunda Guerra Mundial. Seu autor, Keiji Nakazawa é um dos sobreviventes da Bomba de Hiroshima, e conta neste incrível livro a vivência com sua família. Na introdução do livro, Keiji explica como muitos japoneses, na época da publicação do livro, não sabiam direito sobre o fato. Sempre lhe mandavam cartas perguntando se aquilo realmente tinha acontecido.
A família Nakaoka é constituída de Gen, Shinji (irmão mais novo), Eiko (irmã mais velha), Kouji e Akira (irmãos mais velhos), Daikichi (pai) e Kimie (mãe).O livro já começa em 1945, no mês de abril. O Japão treinava compulsivamente seus jovens, para que pudessem resistir às forças americanas e inglesas guerreando. O país era tomado pela fome e por noções rígidas de comportamento, instituídas pelos militares. Com muita frequência, os habitantes passavam por “toques de recolher”, como que um treinamento para quando seus inimigos lançassem as bombas. A família Nakaoka era muito julgada pelos vizinhos e – claro – pelos militares, de serem “antipatriotas”. Daikichi, principalmente, era muito perseguido pelo Presidente da Associação de Bairro. Em meio a tantos problemas, a família ainda conseguia manter a alegria e a união (mesmo que por pequenos momentos, uma discussão ou outra, por causa da guerra).
Foi um dos livros mais tocantes que já li em minha vida. Confesso que chorei muito, chorei de soluçar em várias partes do livro. Interessante o autor expressar tanta dor, tantas lembranças castigadoras, através de traços tão bem humorados. Fico imaginando como é ser sobrevivente de algo tão catastrófico e ainda assim, conseguir transmitir seus sentimentos de forma tão concisa. Muito mais que indicado: este livro deveria ser essencial em currículos escolares. A obra é para ser guardada para a vida inteira.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Resenha - A verdade sobre o caso Harry Quebert


Para o bem da verdade, todos sabem que livros de suspense que prendem a nossa atenção até a última página são, na maioria dos casos, sucesso de venda e de público.

Depois ter lido uma maratona de livros YA (a resenha anterior, ok?), gostei de ter encontrado – ao acaso, será? – o livro do autor suíço Joël Dicker. Confesso que fiquei bastante animado com os comentários nas páginas que antecedem a folha de rosto e a sinopse do livro, mas minha leitura não foi das melhores. É claro que não quero menosprezar o trabalho de uma escrita objetiva e com diálogos fortes e pontuais, mas a forma como o autor distribuiu o enredo me incomodou.

O enredo gira em torno do bloqueio criativo do escritor aclamado Marcus Goldman que, passando por essa situação, procura seu ex-professor de Literatura, amigo muito próximo e um exímio escritor: Harry Quebert.

Quando a ossada da jovem Nola Kellergan foi encontrada no jardim da casa do ex-professor, o enredo começa a ganhar corpo em termos de linguagem. Muitos diálogos e descrições precisas de cenários tipicamente interioranos dos Estados Unidos. Até as cem primeiras páginas, o autor realmente conseguiu seguir uma linha clássica de romances policiais. O aparecimento de evidências de assassinato e a reconstituição do crime são pilares deste tipo de historia e, entre outros personagens, é o próprio Marcus quem vai seguir as pistas e fisgar o verdadeiro assassino.

Entre essa problemática, o personagem tem a ideia, mandado por seu editor, de publicar um livro sobre o caso que está investigando. É dentro deste mote que a narrativa se desenvolve de uma forma bastante desnecessária. As inúmeras reviravoltas e a historia virada, com o peso da palavra, pelo avesso nos últimos momentos, não me agradaram muito.

Um ponto forte do livro é a polêmica levantada pelo mercado editorial. Entre as malucas estratégias de marketing, o editor de Goldman faz com que uma parte dos originais vazem para o público, para desespero do escritor. Isso mostra as forças estratégicas de venda e a espetacularização de fatos do cotidiano nos bastidores do mercado editorial.

Entre partes desnecessárias e reviravoltas cansativas e extensas, a escrita de Dicker consegue nos revelar os meandros da personalidade humana, seus contrapontos, contrastes dentro de um jogo de aparências e mistérios dentro de cada personagem.






Título: A verdade sobre o caso Harry Quebert
Autor: Joël Dicker
Editora: Intrínseca
Páginas: 2014